Vestido de garçom, maranhense sustenta família e sonha em comprar casa vendendo água


Raphael Gomes, de 25 anos, com um look atrativo, vende água a R$ 2 na avenida dos Africanos, em São Luís. Vestido de garçom, maranhense sustenta família e sonha em comprar casa vendendo água

De segunda a sábado, Raphael Gomes, de 25 anos, sai de casa, na rua Bom Jesus, no bairro Coroadinho, na capital, até a avenida dos Africanos, por volta das 8h, para vender água próximo a um sinal de trânsito. Durante um percurso de dois quilômetros, ele carrega, em um carrinho de mão, a caixa de isopor com garrafas de 500 ml de água e um baldinho de gelo.
O traje é formal e se assemelha ao de um garçom, além da máscara em razão da pandemia do novo coronavírus. Dessa forma, o jovem, que já foi operador de telemarketing, garante, atualmente, sua renda e sustenta a família – a noiva e os três filhos dela, frutos de outro relacionamento. A cada vez que a luz vermelha brilha no alto, Raphael, com o baldinho em mão, oferece água aos motoristas que por ali param.
A inspiração veio depois que Raphael descobriu um trabalhador de São Paulo (SP) que vende água usando roupa social:
“Queria arranjar uma forma de ter um diferencial, uma marca que as pessoas pudessem enxergar em mim confiança, credibilidade e procedência daquilo que ‘tá’ comprando. O pessoal olha uma pessoa no sinal vendendo água de bermuda, chinelo e camisa, automaticamente, identifica aquela pessoa como marginal ou como usuário de droga, ou outra pessoa de personalidade ruim. Eu resolvi me vestir como garçom para abordar o cliente de uma forma mais receptiva e atrair pelo carisma no atendimento. Vou ser um garçom da água no sinal”, conta.
O empreendedor, como ele prefere ser reconhecido, vende cada garrafa de 500ml a R$ 2. Apesar de nunca ter tido experiência profissional como garçom ou vendedor, Raphael ressalta que trabalha com metas, que têm sido alcançadas durante os seis meses nesta batalha. Ele, que já passou por uma fase de muito aperto quando veio a pandemia, afirma que só retorna para casa após vender a última água. “Costumo dizer que a gente [ele e a família] sobrevive. As contas a gente fica pagando um mês sim, um mês não. Motivação a gente tem de sobra e busco sempre o melhor pra mim e pra minha família”, destaca.
Ele pretende um dia se tornar um representante comercial ou criar uma marca com outros profissionais vendendo água em sinais assim como ele, vestidos de garçons. “Eu queria ter uma marca com pessoas vestidas dessa mesma forma no sinal, uma franquia com pessoas nas principais avenidas de São Luís”, explica.
Um lar para chamar de seu, no entanto, é o maior sonho de Raphael. Para tanto, ele conta mesmo com este esforço sob o sol escaldante da Ilha e se orgulha de cada gota de suor derramada.“Já recebi proposta de emprego, para ser garçom, vendedor. Ninguém consegue sobreviver com um salário básico para sustentar três filhos, uma mulher e ainda morar de aluguel. Aqui eu tiro meu rendimento mínimo de R$ 50 de lucro diariamente e trabalho próximo de casa”, afirma.
Vestido de garçom, maranhense sustenta família e sonha em comprar casa vendendo água

COM AGÊNCIAS

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