Com pandemia, RMC compara número de demissões aos anos mais graves da crise econômica


Segundo Observatório PUC-Campinas, perdas do emprego formal entre janeiro e maio superam o registrado em 2016 e equivalem a 80% do total de vagas fechadas em 2015, ano do pior resultado na série histórica desde 2010. Carteira de trabalho

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus no saldo de empregos formais da Região Metropolitana de Campinas (RMC) já são comparados aos piores anos da crise econômica que provocou milhares de demissões. Segundo o Observatório PUC-Campinas, 32.620 vagas com carteira assinada foram fechadas entre janeiro e maio nos 20 municípios da RMC – número superior ao total de postos perdidos em todo ano de 2016, e que representa 80% do registrado em 2015, período de pior resultado na série história do Caged desde 2010.
A crise provocada pela Covid-19 e as restrições econômicas necessárias em virtude da quarentena ficam claras pelos setores mais afetados. Enquanto a área de saúde, por necessidade, gerou 2.274 vagas no período, comércio (-11.235), indústria geral (-6.074) e alojamento e alimentação (-6.675) foram os que mais fecharam postos no período.
Das 20 cidades que integram a RMC, apenas Artur Nogueira (SP) e Cosmópolis (SP) operam no “azul” em relação ao saldo de empregos, com 5 e 147 vagas criadas entre janeiro e maio, respectivamente. Campinas (SP), maior cidade da região, é quem acumula o maior número de vagas fechadas: 14.499.
Saldo de empregos na RMC – janeiro/maio 2020
Americana: -3.072
Artur Nogueira: 5
Campinas: -14.499
Cosmópolis: 147
Engenheiro Coelho: -75
Holambra: -473
Hortolândia: -1.443
Indaiatuba: -1.913
Itatiba: -527
Jaguariúna: -575
Monte Mor: -255
Morungaba: -80
Nova Odessa: -1.102
Paulínia: -1.301
Pedreira: -570
Santa Bárbara d’Oeste: -938
Santo Antônio de Posse: -294
Sumaré: -1.809
Valinhos: -3.161
Vinhedo: -685
A análise do Observatório PUC-Campinas mostra que as demissões têm atingido mais trabalhadores com ensino médio (60%) e na faixa entre 30 e 39 anos (30%), seguido por profissionais na faixa etária dos 50 a 64 anos (23%).
Apesar dos números de total de vagas fechadas entre homens (50,5%) e mulheres (49,5%) serem equivalentes, o estudo aponta que as trabalhadoras estão mais suscetíveis às demissões, uma vez que ocupam menor fatia do mercado de trabalho (44%).
Eliane Rosandiski, economista da PUC-Campinas
Fernando Evans/G1
Retenção de vagas, perda salarial
A economista Eliane Navarro Rosandiski, professora da PUC e que coordena o estudo, destaca que a Medida Provisória 936, que permite a redução de jornada de trabalho e salário por até três meses, por conta da crise causada pelo novo coronavírus, ajudou na retenção de muitas vagas de trabalho no setor, mas isso causou um outro efeito: a perda de massa salarial.
“A maior parte do ajuste afetou trabalhadores mais sujeitos a rotatividade, mais fáceis de serem substituídos, principalmente no comércio e área de alimentação, até porque há um grupo protegido pela MP 936, que permitiu a redução ou até suspensão da jornada de trabalho, o que de fato representa uma quantidade de emprego preservada, mas com redução da massa de salário”, explica.
MP autoriza redução de jornada e salário por até 3 meses; ENTENDA
Segundo Eliane, em torno de 50% dos trabalhadores atingidos pelos efeitos da MP dos salários tiveram a suspensão do contrato de trabalho, o que significa que recebem, no máximo, o teto do seguro-desemprego, que é de R$ 1.813,03.
“O restante, mesmo com a compensação do governo, que paga parte do que foi reduzido, teve uma queda no salário”, completa.
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COM AGÊNCIAS

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